Notícias... Más notícias... Mais e mais notícias de acidentes ocasionados por motoristas que dirigiam embriagados. Geralmente, ocorrido o sinistro e embora os sentidos não se enganem, negam-se os condutores peremptoriamente a fazer o teste do bafômetro ou até o exame de sangue. Alega-se que ninguém está obrigado a produzir prova contra si, mas o certo é que, por um lado, se despreza a lei e, por outro, dela usufruindo, quer se evitar a penalidade. Pena que assim não se respeite nem se ame a vida, nem se queira evitar tantos prejuízos e verdadeiras tragédias!
Aos 29-5-2010, escrevi um artigo, cuja finalidade era analisar um comentário humorístico de um estudante universitário a respeito dum grave acidente envolvendo um jovem da cidade, que capotara seu carro nas imediações da ponte do contorno da mesma sendo atirado fora de seu veículo por não estar usando o cinto de segurança naquele momento, o qual sobrevivera, outra vez, provavelmente mais por sorte que por outro fator... Em face de tão frequentes e tristes fatos constantemente noticiados, trago-o novamente à baila adaptado e atualizado.
O bom humor nos ajuda a viver mais e melhor. Por isso, faz-se humor de tudo. E, ainda que nisto não haja graça, faz-se humor até da desgraça. Mas que isso não tem graça o digam os pais e/ou as mães, as esposas ou os esposos, as irmãs ou os irmãos, as famílias, os amigos, enfim, todos aqueles que, a todo momento, perdem filhos, cônjuges ou algum outro ente querido por causa da combinação, no mínimo imprudente, mas amiúde fatal entre bebida alcoólica e direção.
Se a apreciação etílica vem de muito longe, atualmente e entre outros fatores, este fenômeno guarda estreita relação com o fato: é cada vez mais precoce a iniciação ao álcool. E isso porque há um estímulo muito forte, muito intenso, muito amplo, muito inteligente e muito bem arranjado na sociedade – da mesma forma que muito burro simultaneamente – que propicia esse envolvimento e almeja esse fim, uma vez que “a ordem é consumir”.
Para tanto, conta-se com características inerentes à bebida ou a ela atribuídas enfática e sistematicamente: em regra, associada às festas, como elemento de socialização, de celebração, de sucesso, de status, de conquista, de sedução, de relaxamento. Além disso, aqueles que querem mais e mais consumidores e veem cada pessoa apenas como potencial consumidor contam com fortes aliados: a dependência químico-orgânica, que não demora a se estabelecer e a se mostrar, e o exemplo negativo, escancarado, visto desde bem cedo pelas crianças e adotado pelos adolescentes e jovens, sem falar no colossal apelo midiático, que alcança milhões e milhões ao mesmo tempo.
Não demora a se mostrar a que sorrateiramente irá se instalar, muito dificilmente irá se admitir e da qual, com ainda mais dificuldade, irá se libertar. Este é um fato em que honestamente todos podem e deviam naturalmente convir. Da mesma forma, o podem em relação ao fato de isso não importar àqueles para quem o único interesse é o lucro, não a vida daqueles que aos poucos ou abruptamente se vão ou seriamente se comprometem, e às vezes, se reduzindo a uma condição vegetativa, além de prejuízos ao patrimônio, comparativamente a perda de vidas ou ao seu comprometimento, os de somenos importância.
Com certeza, está na hora de atentar aos fatos, focando-os objetivamente, não nos deixando enganar por propagandas apelativas e cheias de engodo, e nem nos autoenganando ao repetir velhas frases: “Eu só bebo aos finais de semana”; “Eu só bebo socialmente”. Pois muitas vezes não passam de mera justificativa para continuar a beber, a prejudicar a si mesmo, aos seus e à sociedade, ocultando o quanto o álcool é capaz de nos submeter, para não dizer escravizar.
De certo, esta é a hora de se exigir algo mais consistente do que fazer constar no rótulo das marcas de bebidas a tímida e minúscula advertência “Beba com moderação”, alertando para os efeitos nocivos do álcool. Mesmo por que a vontade de alertar provavelmente seja tão grande quanto ao tamanho da fonte com que ali a escrevem, se é que essa vontade não é menor ainda ou até inexistente para o interesse de muitos.
De fato, está na hora de se focarem as leis e as regras morais como um olhar novo ou diferente. Não como algo meramente proibitivo ou ultrapassado e destituído de valor, mas como algo que visa a proteger e dar mais qualidade e sentido a nossa vida. Não como algo a ser ridicularizado, banalizado e desacreditado, mas como elementos necessários à vida em sociedade, da qual nossa vida é constitutiva. Não com um olhar preconceituoso ou conforme nossas conveniências, mas de acordo com sua natureza e finalidade.
Já estava mesmo na hora de se estimular a moderação; de se estimular a maior compreensão das leis; de se estimular a aplicação das leis e a exigência de sua aplicação; de alegrar-se porque a lei foi cumprida e não porque foi ignorada, ou desrespeitada, ou porque se deu um jeitinho; de furtar-se a uma onda de ridicularização, de banalização e de descrédito das mesmas. E isso tudo, não para ser do contra, mas porque, com efeito, há momentos ou situações em que se precisa, por exigência natural, remar contra a maré, modos que importantes objetivos não fiquem esquecidos na praia: bons pescadores sabem como fazê-lo sem que se percam vidas, ou pereçam famílias, e sempre a serviço da sociedade.
Para exemplificar: – Por que a lei, a qual se convencionou chamar de Lei Seca, teria que ser esquecida ou não posta em prática? Não é a sociedade como um todo e seus indivíduos – em vista dos quais foi feita e existe – que têm de mudar sua mentalidade, comportamento e grau de responsabilidade? Isso não é o óbvio? Não é o mais razoável, vez que significa uma mudança para melhor: mais segurança para todos, mais respeito à vida, mais preservação da vida, mais amor e mais justiça?
Afinal: – Que mal há em voltar para casa sóbrio, vivo e ileso? Embora da bebida não se deva efetivamente exagerar, que mal há em introduzir em nossos hábitos e costumes, como medida de prudência e mal menor, a prática do rodízio, isto é, um daqueles que saem para festejar ou comemorar não beber e ter-se daí a certeza de que, quanto dependa de si, não se vai envolver-se em acidentes de trânsito, nem causar outros males a si ou aos demais?
E agora os gastos com este novo tipo de bafômetro! De um lado, que bom! Pois seja no local das blitzes seja no atendimento a sinistros, haverá a possibilidade efetiva de aferição do índice da presença de álcool ingerido pelo condutor mediante a simples conversa deste com o policial, superando-se, enfim, o subterfúgio legal que dificultava e limitava em muito a produção de prova contra o responsável pelo acidente, o que muitas vezes, não obstante a sua gravidade, acabava resultando numa pena muito inferior à devida em proporção ao evento. Todavia, de outro, por que impor ao Estado a necessidade de gastos sempre mais vultosos para contornar situações como esta? Não seria mais sensato que, ao invés de as coisas arrastarem consigo enormes perdas – às vezes, irreparáveis – e continuarem a precisar sempre ser resolvidas em juízo, passassem simplesmente a ser resolvidas em sede de consciência como resultado de um processo de educação ou reeducação?
Deixo esta reflexão, como convite a pensar. Aliás, aí está uma coisa que não se faz muito bem sob o efeito do álcool! Mas, inobstante seja muito difícil mesmo libertar-se desse mal – a tal ponto de, sozinho, só ainda mais árdua e bem menos frequentemente se conseguir – é preciso reconhecer que se é alcoólatra e buscar a ajuda adequada: é o primeiro passo. Este é o começo apto a levar a um final feliz para si e para todos.
Jacarezinho, PR, 1º de novembro de 2011.
Sérgio Eduardo Possetti
Ainda ontem celebrávamos o DIA DE FINADOS, solenidade em que se celebra a esperança cristã... Quantos dos irmãos pelos quais ontem rezamos, ao visitarmos os cemitérios, tiveram suas vidas ceifadas por acidentes que poderiam ter sido evitados!? Por isso, rezemos também para que as campanhas de conscientização do consumo moderado de álcool atinjam cada vez mais amplamente seu propósito, bem como, conjutamente à aplicação devida da lei, crie-se uma nova mentalidade social, que resulte em maior segurança para todos, e elimine as perdas gratuitas de vidas humanas em acidentes de trânsito causados pela combinação perigosa e muitas vezes fatal de bebida alcoólica e direção. Rezemos também por todas as vítimas remanescentes destes brutais episódios... E, ainda, por todos aqueles que não conseguiram até o momento dar o primeiro passo no ...sentido de poder se libertar do alcoolismo, doença cruel que tem levado tantos e tantos prematuramente ao túmulo... dificuldade de parar motivada talvez pelo próprio fato de haver tanta tolerância social a respeito do costume do consumo de álcool. Rezemos pela preservação da sobriedade das crianças, adolescentes e jovens, que cada vez mais precocemente têm-se iniciado no nocivo hábito de beber. Rezemos pela perseverança daqueles que conseguiram parar de beber e para que o seu exemplo incentive a outros. Busquemos, enfim, os meios necessários, para que os que ainda não o conseguiram possam ter acesso a um tratamento adequado, mesmo que tenhamos de oferecê-lo em lugar do Estado num primeiro momento. E apoiemos as iniciativas neste sentido, em nosso município particularmente, a CADD e a COFADD. E pelos seus dirigentes, por todos aqueles que por ali passaram, passam ou passarão também ofereçamos nossa oração.
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