VÍTIMAS DE PADRES PEDÓFILOS
APRESENTAM QUEIXA CRIME CONTRA O PAPA BENTO XVI
Segundo matéria divulgada pelo GAZETA DO POVO e outros sites, uma associação americana de vítimas de padres pedófilos, denominada SNAP, anunciou nesta terça-feira, 13, ter apresentado uma queixa ante o Tribunal Penal Internacional (TPI) contra o papa Bento XVI e três outros dirigentes da Igreja católica por crimes contra a humanidade. O papa Bento XVI, então cardeal Josephf Ratzinger, é acusado porque era o chefe da Congregação para a Doutrina da Fé durante o pontificado de João Paulo II; o cardeal William Levada, por ser-lhe o atual; o cardeal Angelo Sodano, porque era o secretário de Estado do Vaticano no período do pontificado de João Paulo II; e o cardeal Tarcisio Bertone, por exercer esta função atualmente. Conforme os sites, os dirigentes da associação querem que o Papa seja julgado por ‘responsabilidade direta e superior por crimes contra a humanidade por estupro e outras violências sexuais cometidas em todo o mundo’. Acusam-no de ‘ter tolerado e ocultado sistematicamente os crimes sexuais contra crianças em todo o mundo’.
De acordo com a matéria, o papa Bento XVI expressou sua vergonha e pediu desculpas, apelando para a tolerância zero contra a pedofilia, bem como pediu aos bispos do mundo, que têm a responsabilidade primária pelos seus sacerdotes, a plena cooperação com os tribunais criminais.
A SNAP não teria acreditado nesse desejo de transparência e justiça, nem moderado suas acusações.
COMENTÁRIO:
Com pesar, humildade e responsabilidade, sem olvidar a caridade, posiciona-se a Igreja Católica Apostólica Romana sobre casos de pedofilia envolvendo padres, confiando na justiça para apurar e sancionar com a devida pena casos que tenham efetivamente ocorrido. E não podia ser diferente, pois seu compromisso é com o Bem e a Verdade.
De fato, compromete-se com todos os demais valores autenticamente humanos e divinos. É por essa razão que se constitui na primeira anunciadora, promotora e defensora do Amor e da Vida, e deplora e denuncia não só este mal hediondo, mas quaisquer outros males, entre eles a injustiça que campeia solta pelo mundo, roubando ou insistindo em negar, violenta e gananciosamente, a dignidade de milhões e milhões de pessoas humanas, as quais mesmo não se quisessem vê-las como irmãs e irmãos – por se negar sua dignidade de filhos e filhas de Deus – não se poderia negar serem todas membros e representantes da Humanidade, com direitos e deveres iguais a serem garantidos e respeitados, não sendo jamais ético, ou lícito, desrespeitá-los, negando-os a um sequer, ou discriminando a um só.
O problema não é de importância menor, nem pretende a Igreja minimizá-lo. De certo, bem assim a Igreja o vê: ela nem pode, nem quer ser cúmplice de algum crime ou ser injusta com alguém, quem quer que seja; em virtude disso, quer que acusações de pedofilia contra algum de seus padres sejam, sim, submetidas ao juízo cível-criminal: de um lado, porque não estão dispensados de responder por seus atos também civil e criminalmente, de outro, para que se distingam efetivos casos de abuso de casos de falsas acusações, motivadas por razões espúrias, tais como a de extorsão e a de atentado contra a sua imagem.
Não quer a Igreja adotar uma posição defensiva, que pouco, ou nada, contribuiria para uma relação dialogal ou de transparência. Mas talvez seja ainda útil propor algumas questões:
– Por que a Igreja, sendo a protagonista da realização de tanto bem, ou tomando parte alegremente de sua realização, ou com todo bem se alegrando, é alvo tão constante de tantas acusações, e, muitas delas, com o intuito claro de ferir-lhe a imagem, ou de desacreditá-la, principalmente na pessoa de seus representantes maiores, o Papa e os Bispos? A resposta parece simples: – Exatamente, porque ela representa a maior força moral para o Mundo. Assim, qualquer erro que algum de seus membros cometa se agiganta extraordinariamente aos olhos dos que a veem de fora sem poder ou querer enxergar, para além do ponto, o horizonte. Isso principalmente considerando-se que os valores por ela defendidos são, com bastante frequência, contrários a muitos outros interesses, que não o de servir a Deus e a Humanidade.
– Por que é alvo de tantos preconceitos? – Porque não se conhece, ou não se quer conhecer, ou não se quer deixar conhecer a sua verdadeira identidade. Pois, por uma razão de conveniência, pode ser mais cômodo permanecer na ignorância do que buscar a verdade ou a ela se abrir, ainda que só a verdade seja apta a libertar o ser humano. Demais, muitos são os que se regozijam com isso, instrumentalizando-o em seu favor, os mesmos que não se cansam de alimentar preconceitos e de divulgar dados distorcidos, ou adulterados contra a Igreja Católica Apostólica Romana, ou contra quem se ponha em seu caminho. Aliás, não é incomum grandes detentores do poder econômico patrocinarem ONGs pelo mundo inteiro, a fim de divulgarem, defenderem e fazer implantar a ideologia dos seus patrocinadores. Trata-se de organizações com orçamentos anuais multibilionários, estrategicamente unidas entre si, cujos nomes são, intencionalmente, dissimuladores ou ocultadores de seus verdadeiros propósitos. Assim agem para não chocar a opinião pública. Desse modo, vão introduzindo aos poucos seu sistema de ideias. Propositadamente, confundem e enganam com termos vagos e imprecisos, criando sempre novos eufemismos para não escandalizar com o que realmente pretendem. Exercem fortíssima pressão sobre as pessoas e organismos, como também contam com o apoio de muitos e influentes organismos. Adotam a estratégia de excluir da abordagem temática o seu pertinente e inafastável aspecto moral e religioso, bem como a de repetir e enfatizar argumentos sentimentais. Desprezam, quando lhes convém, os dados mais certos e seguros da Ciência, inclusive não os levando ao público na discussão das questões, negligenciando assim o mínimo respeito às pessoas, à medida que dessa forma as manipulam, e em nada contribuem para a formação da opinião pública de modo objetivo e, por consequência, imparcial. Imprópria e estrategicamente, esforçam-se por deslocar o foco da discussão: por exemplo, do moral e religioso para o de saúde pública pura e simplesmente. Com tudo isso, buscam tenazmente impor o seu pensamento sem que os seus grandes mentores apareçam e, a todo custo, tentam afastar a Igreja da discussão dos problemas, como se ela não pudesse se manifestar competentemente, ou não pudesse ou não devesse ser chamada à discussão, nada tivesse a dizer, ou nada ou a ninguém representasse.
Por fim: – Com quantas afirmações gratuitas e posicionamentos hostis à Igreja e ao Clero nos deparamos no cotidiano? – Inúmeros e inúmeros!
É preciso que esta situação dê lugar a uma situação de respeito, em que as relações sejam pautadas pelo amor à verdade, movidos pelo qual tenhamos um olhar mais aprofundado e crítico da realidade, e não nos deixemos levar pelo bombardeio de informações fragmentadas, por exemplo, ouvidas em sala de aula por anos a fio, ou através da Mídia, promotoras subliminares de uma autêntica lavagem cerebral, propícia ao ceticismo, ao relativismo, ao materialismo e a uma quantidade absurda de preconceitos à Moral e à Religião, especialmente à Igreja Católica Apostólica Romana.
A Igreja não teme a verdade, nem está fechada ao diálogo, ou cega à justiça. Por isso, não foge nem fugirá a eventual ação; continuará pedindo tolerância zero contra a pedofilia, e desejosa de que se faça justiça também nos casos dessa natureza, não somente nos que envolvam seus sacerdotes, acreditem ou não em seu pesar e transparência. Mas ainda uma pergunta: – Por que o foco continua sendo a Igreja, quando é fato notório que a maciça maioria desses casos não se relaciona a padres? E por que esta queixa ocorre poucos dias antes da visita do Papa à Alemanha, a realizar-se nestes 22 a 25 de setembro, em Berlim? – Mais uma vez e a par de outros motivos, alguns já mencionados, porefeito midiático.
Jacarezinho, PR, 14-9-2011.
Sérgio Eduardo Possetti