Não é o arcano algo etéreo:
Quando pensas, te deslocas,
Dois aspectos do mistério,
Todo dia tu o tocas.
Num encontro me revelo,
Porém me velo também.
E na atenção que desvelo
Introjeto algo ou alguém.
Se eu te disser quem eu sou,
Saberás pouco de mim,
Porque, de tudo o que sou,
Pouco te direi enfim.
Este é um mistério da vida:
É um mistério a própria vida.
Por mais que seja vivida,
Permanece ela escondida.
Entre os mistérios da vida,
Não me é difícil escolher.
Pois, entre a morte e a vida,
Desejo sempre viver.
Quero conhecer-te, VIDA!
Que grande mistério encerras!
Que, modesta, em tantas lidas,
A nossa mente descerra.
Mistério que nos encanta!
Mistério que nos atrai!
Mas, se a soberba for tanta,
O pobre homem logo cai.
Quantos olhos a ti miram!
Quantos modos de te ver!
Porém, nem todas as miras
Conseguem te compreender.
Ao homem da Religião
E também ao da Ciência,
Por tua contemplação,
A todos dás sapiência.
Sapiência, te enxergar;
Sapiência, te acolher;
E Sapiência, escutar...
O que nos tens a dizer.
És tu que fazes o poeta
Pela sensibilidade;
E que fazes o profeta
Criar nova humanidade.
És o nosso paradigma,
A nossa motivação,
És o nosso grande enigma,
És a nossa solução.
Homem, prossegue em tua ânsia
De desvendar este arcano...
Que, com sua exuberância,
Te tornará mais humano!
Homem, ao prosseguir na ânsia
De desvendar este arcano,
Cuidado com a arrogância,
Pra não tornar-te inumano!
No mistério da existência,
Toca tu com reverência,
Com ética, e com prudência
Para captar-lhe a essência.
Bandeirantes, PR, 12-1999; revista: Jacarezinho, PR, 27-9-11.
Autoria: Sérgio Eduardo Possetti
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