Anjos meigos, puros,
É o que, então, se via
Nesta travessia
De tantos apuros.
Anjos nos nasceram
Para serem gente!
Mas que, de repente,
Desapareceram!
– Quem os merecia
Se eles eram puros?
Se, num mundo escuro,
Já se perderiam?
– Quem os merecia
Se os seus olhos veem,
Todo e todo dia,
O que não convém?
Que brutal desdita
É crescer chorando,
Ver seus pais brigando!
Nem se acredita!
E vendo ir embora,
Pais se separando;
Eles se ajuntando:
“Sou teu pai agora!”
Vejo outra partida
De quem nem chegou...
Nem sequer me amou...
Só deixou feridas!
Pobre o meu viver:
Dês que estou aqui,
Eu só conheci,
Da vida, o sofrer!
– Onde está a alegria?
(Dize onde ela está!)
Quem me mostrará
Onde é que ela brilha?
Dize se ela existe,
Eu quero viver!
Preciso saber,
O meu ser insiste.
Basta-me saber
Se alegria existe,
Pois não se desiste
Jamais de viver.
Se anjos vem do céu,
A alegria existe.
Já não sou mais triste,
Triste como o fel.
Se anjos vem do céu,
E a alegria existe,
Já não sou mais triste:
Doce como o mel.
Se bons anjos há,
Existe a alegria,
Que nos contagia
Co' a vida de lá.
Jacarezinho, PR, 11-10-11.
Autoria: Sérgio Eduardo Possetti
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