Penso nas crianças,
Que estão pelo mundo,
Feitas Sujismundo,
E sem esperança.
Só e abandonadas,
Corpo todo imundo,
Seu lar, o submundo,
Não lhes restou nada!
– Onde estão seus pais?
– Nem os conheceram...
Ou, porque morreram,
Não existem mais!
Vida de animais
Surripiou-lhes cedo,
Incutiu-lhes medo,
Cravou tais sinais!
Entes sanguinários
As barbarizaram;
Também as cravaram
Em novos calvários.
Vidas desgraçadas
Lhes mancharam o nome
– O seu santo nome! –
Sem deixar-lhes nada!
Destruir, dos mundos,
O mais defensável:
Foram implacáveis
Estes vagabundos!
– Que restou a elas?
– Só a delinquência!
Mas, nem consciência,
Resta agora delas!
Lhes restou agora
Um fel de veneno;
Seu olhar sereno
Se perdeu na história.
Lhes restou agora
Um veneno amaro,
O preço tão caro
Pagado à vanglória!
Acabou-se tudo,
Só ficou o medo
De morrer bem cedo
Premido no escuro...
A não ser que penses:
Este é meu irmão;
Tome a minha mão:
Sei bem o que sente.
Jacarezinho, PR, 10-10-11.
Autoria: Sérgio Eduardo Possetti
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