Há quem diga que eu não tenho endereço...
Contudo, com isso, não posso concordar:
Deveras, quem o diz não sabe ou não quer me encontrar...
Se bem que eu não queira mesmo, com todos, me esbarrar.
A minha casa é a rua: de dia e de noite, me encontro lá...
De um pra o outro, varia... Mas já faz tempo que moro cá...
Até já me acostumei com o que não dá pra se acostumar...
E, assim, vou vivendo do jeito que dá.
Vivo, ao mesmo tempo, próximo e distante,
Embora, muitas vezes, só queira a distância:
Corro, corro... corro bastante, pra ninguém me alcançar...
Me escondo... E tanto melhor será se ninguém me achar.
Como você vê, eu também sei brincar... Por exemplo,
Brinco de esconde-esconde, inda que de modo bem diferente:
Não só torço pra que não me encontrem,
Como também, pra nem me irem atrás.
Deixei pra trás muitas coisas do tempo da infância:
Bem cedo me vi sozinho... Nenhuma chance me ficou...
Muito cedo, o descaminho... Não tive infância... Pois a que eu tive...
Fez-me adulto prematuramente... Logo aquele que eu não queria!
Jacarezinho, PR, 18-10-11.
Autoria: Sérgio Eduardo Possetti
Nenhum comentário:
Postar um comentário