– Que país é esse, em que estudantes se levantam covardemente contra policiais, jornalistas e reitor de uma renomadíssima universidade, os quais se encontravam no estrito cumprimento de suas respectivas funções, e ainda se achando no direito de depredar e invadir o patrimônio público, de depredar o patrimônio privado, bem como de agredir ou de tentar, também violentamente, obstar a imprensa?
– Que país é esse, no qual policiais precisam ver-se na iminência de ceder a uma turba de baderneiros, ou maconheiros, por estarem cumprindo sua função de garantir a ordem e a segurança social?... E ainda falam na legalização da maconha!
– Que país é esse, em que um nobre deputado se dá ao desplante de dizer que ambas as partes se excederam, pois o uso de drogas na faculdade seria um rito de iniciação dos estudantes: talvez o ilustre deputado se esqueça de que o enorme e assustadoramente crescente número dos que se iniciam nesta devastadora praga social só conseguem parar depois que a droga ou a morte os consumiu, além dos incontáveis estragos sociais inerentes a este costume antissocial, que gera dependência e alimenta ao narcotráfico e ao crime organizado de modo geral.
Há algumas coisas com as quais não se pode transigir, dentre as quais as drogas, a violência, a perturbação da ordem e da segurança social, a vida – valor maior de uma sociedade. Afinal, em decorrência de convênio firmado neste maio e previsto para os cinco anos seguintes, a polícia militar passou a patrulhar o campus da USP em setembro deste, após um estudante de Ciências Atuariais ter sido assassinado no estacionamento da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (FEA) da Universidade de São Paulo (USP), na Cidade Universitária, baleado na cabeça aproximadamente às 21h40 de 18-05 próximo passado, depois de assistir a uma aula de Contabilidade no campus de Butantã, na zona oeste de São Paulo. Era o jovem Felipe Ramos de Paiva, de apenas 24 anos...
E, depois, alguém – a exemplo do deputado – dirá que os alunos não se sentem muito à vontade com a presença dos policiais militares, e que isso teria sido a causa do lastimável episódio do último 27 no campus da USP? Ou que – a exemplo destes alunos – dirá estar descontente com a gestão do seu reitor e, por isso, invade? Destes alunos, inclusive, muitos fumando habitualmente maconha “na cura dura” ou vistos com “latinhas de cerveja” na mão dentro do prédio da Administração que invadiram e depredaram e à frente do qual circulam como bandidos? Sim, pois se a causa é tão nobre, por que cobrir as cabeças? Qual a razão da tentativa de afastar as câmeras de filmagem – por vezes, danificando-as – e agredir fisicamente jornalistas que registravam a manifestação ou que, no seguimento, pretendiam registrar outras matérias, a fim de manterem a sociedade informada, e até granjearem simpatizantes para a sua causa, mediante uma abordagem imparcial dos fatos? Ora, quem não teve medo de enfrentar, bater, quebrar, invadir e ainda queimar bandeiras em protesto ou para externar indignação – pois o teria feito movido por elevada e justa razão! – também não deveria ter medo de “dar a cara a bater”, mesmo por que não se dialoga com “caras escondidas, ou escondidos”, que não queiram, não possam se identificar, ou não se possa identificar.
– Querem tomar as dores dos amigos? Tomem, mas respondam por seus atos. – Querem fazer apologia às drogas? Façam. Mas não se esqueçam de que é crime. – Querem defender supostos inocentes ou situações de indignação? – Façam-no, mas não com argumentos baratos, nem a modo de pretexto. – Querem se opor à presença dos policiais? Oponham-se, mas que nem a Polícia nem o Conselho Gestor da USP ceda, visto que os alunos deveriam é estar contentes por tal presença, já que seu propósito é oferecer mais segurança a todos... A não ser que esta presença atrapalhe certos interesses equivocados, egoístas e ocultos de alunos que se arvoram em defender-se com argumentos que nada têm a ver com “liberdade de expressão”, porquanto este foi o argumento alegado por um dos estudantes detidos para se opor à presença da PM, afirmando que esta cercearia a ”liberdade de discutir uma série de coisas” em contrariedade à definição de Universidade; o qual se declara um defensor da liberalização da maconha, apontando o motivo de sua não liberação como sendo uma hipocrisia total, sob o pretexto de que o álcool é liberalizado inobstante todo o mal de que é causador, bem como de que o problema social da maconha seria o tráfico, o qual teria sido criado justamente por causa de sua proibição. O caro estudante está se esquecendo de uma coisa: não se pode justificar um mal por causa de outro, assim como é entendimento equivocado afirmar que o narcotráfico se deva à proibição: muito pelo contrário, se ele existe, é por causa do elevadíssimo e terrivelmente crescente número de usuários que faz a cada momento e por causa da ganância inescrupulosa de criminosos, que não se importam nem um pouco com os seus novos “clientes”, nem tampouco com o bem-estar de um POVO, de um PAÍS, ou de uma NAÇÃO e também nenhum pouco com a PAZ MUNDIAL.
Jacarezinho, PR, 29-10-11.
Sérgio Eduardo Possetti
E veja que contradição: ao mesmo tempo em que um dos detidos entrevistados diz reiteradamente que a abordagem dos policiais foi normal – no bom sentido da palavra – ele diz que eles não estão preparados para o serviço porque seriam truculentos... Parece que quem não está preparado sequer para distinguir afirmações contrárias, e até contraditórias, é o entrevistado. Demais, ele alega que este despreparo se daria, por exemplo, em razão de encontrarem alunos dormindo pelo campus e abordá-los e também abordarem professores... Isso não parece ser truculência, pois a questão é saber se tal ou tal pessoa está em atitude suspeita ou a precisar de auxílio. Entendo da mesma forma que uma aluna que se externou, dizendo: "CONCORDO COM A PRESENÇA DA PM, TANTO AQUI COMO EM QUALQUER LUGAR DA SOCIEDADE".
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