Buscam algum alimento,
Em desespero total:
Em abundante excremento,
Livrar-se da hora fatal.
Num ímpeto subumano,
Em desespero final,
Põem sua cabeça no ânus
Daquele enorme animal.
Se saciar num paquiderme!
– Quem verá e inda suporte?
São soma de osso e epiderme?...
– Não... Gente com quem se importe.
Se saciar num paquiderme!
– Haverá quem veja e aguente?
São soma de osso e epiderme?...
– Não... Gente tal como a gente.
Naquele momento hediondo,
Cai o mundo e a casa desce:
– Tal visão acaba impondo
A atenção que eles merecem?
Que indiferença brutal
Defere o nobre mortal!
– Pensa?... – Se o faz, muito mal,
Nem parece racional.
Dejeto da humanidade,
Um defecado do mundo!...
Colossal disparidade
Mostra quem são os imundos.
Dejeto da humanidade,
Um defecado do mundo!...
Mas brutal disparidade
Nos revela o que é imundo.
– Que faremos pra salvar
Estas vítimas do mundo,
Pra seus olhos ver brilhar
E tirá-los lá do fundo?
– Olhar melhor do que outrora
Pras coisas ao nosso entorno,
Porque a vida nos implora
Por avanço com retorno.
Pela força da verdade,
Voltar a tudo que é justo,
Deixar de lado as vaidades,
Abandonar o que é injusto.
Progredindo na partilha,
A miséria cede à vida:
Quanto mais se compartilha,
Mais cedo será vencida.
Olhar com profundidade
É urgente necessidade:
Cessar tal disparidade,
Exigência da equidade.
Olhar com profundidade,
Ver como é rico este mundo,
Não se apegar a vaidades:
Pra além do nosso, há outros mundos.
Cesse tal disparidade,
Rica só em desigualdades:
Com riqueza distribuída,
Vida nova, nova vida!
Cesse tal disparidade,
Que envergonha a humanidade:
Vida justa, de igualdade,
Onde há solidariedade!
É urgente necessidade
Tratar de modo profundo
Tamanhas disparidades:
As suplante um novo mundo!
Tantas armas se venderam
Para o povo se matar:
Muitas guerras aqueceram
Sem a fome saciar!
Alimentou-se o egoísmo,
Pedras brutas pra roubar:
Precisou-se de um escapismo
Pra levar e comerciar.
Pedras que dilapidaram
A vida de muita gente,
Pedras que se lapidaram
E enriquecem a quem se sente.
Resolver essa questão
Cabe a mim, cabe a você,
Cabe aos ricos sua porção,
Detentores do poder.
Jacarezinho, PR, 08-5- 2008; revista e ampliada: 19-3-10; revista: 14-10-11.
Autoria: Sérgio Eduardo Possetti
Na ocasião em que compus esta poesia, vi a imagem de uma criança africana magríssima, que era pele e osso, com sua cabeça no anus de um elefante, procurando ali algo com que se alimentar. Fiquei horrorizado com isso! Por um lado, com toda a riqueza e abundância existente no mundo, jamais isso deveria acontecer. Por outro, com poderosas organizações internacionais existentes e países tão ricos, isso precisa urgentemente deixar de existir.
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