Minha vida há de ser plena,
Porque Deus, que é vida plena,
Minha vida há de ser.
É a vida que eu procuro
Tateando no escuro;
É a Deus que eu quero ver.
É a Deus que eu procuro
Pelas sombras, no escuro;
É em Deus que eu quero crer.
Quero crer, pois quero ver
Tudo muito diferente;
Paz em Deus eu quero ter.
Uma paz bem consistente,
De uma busca permanente
Por um mundo bem melhor.
Este mundo não é dado;
Este mundo é conquistado
Com quem vai ao nosso lado.
Este mundo não é dado;
Este mundo se constroi
Mesmo quando a vida doi.
Há uma paz que não constroi:
É a paz alienada,
Ofertada já estragada.
Paz que estraga tanto a gente,
Que sequer a gente sente
Quanto mal ela nos faz.
Paz que pouco ajuda, ou nada,
Muita gente injustiçada,
Fica tudo como está.
Paz que eu quero não é isso:
Paz que eu quero é compromisso,
Paz que eu quero é a paz de Cristo.
Paz que eu quero é solidária;
Abre os olhos, estende as mãos,
Vê a todos como irmãos.
Paz que vê e lava as mãos,
Paz que vê e as mãos retrai,
Não é paz, mas ilusão.
Paz que vê e não se incomoda
Não é paz, quiçá, uma moda,
Pois sempre a paz se incomoda.
A paz que vê e não se importa
É bela aparência e troça,
Porque a paz sempre se importa.
Nossa vida há de ser plena,
Porque paz hemos de ter,
Quando em paz se converter.
São Paulo, SP, 10-2001; revista: Jacarezinho, PR, 06-10-11.
Autoria: Sérgio Eduardo Possetti
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